Energia solar vale a pena em 2026? A conta com o Fio B
Resposta direta
Sim, energia solar vale a pena em 2026 para quem paga a partir de R$ 300 por mês de luz: na conta de exemplo, a economia fica entre 82% e 84% com o Fio B de 2026, e o sistema se paga em cerca de 3 a 5 anos. Fica mais difícil quando o consumo é baixo, o telhado tem sombra ou você vai se mudar logo. Veja a conta abaixo e depois confira a da sua casa.

Resumo
- Em contas de R$ 300, R$ 600 e R$ 1.200, a economia simulada fica entre 78% e 84% de 2026 a 2028, já com o Fio B.
- O Fio B sobe de 60% (2026) para 75% (2027) e 90% (2028), o que tira de 4 a 5 pontos percentuais da economia.
- O retorno é de cerca de 3 anos na conta simples e de cerca de 4 anos se o orçamento vier 40% acima da referência.
- Não costuma compensar com consumo perto do custo mínimo, telhado sombreado ou mudança antes do retorno.
Energia solar vale a pena em 2026 para a sua conta de luz?
Vale a pena para quem paga a partir de R$ 300 por mês, porque a conta simulada cai de 82% a 84% em 2026 e o sistema se paga em cerca de 3 a 5 anos. A tabela mostra três contas comuns, já com o Fio B de 2026.
| Conta atual | Sistema | Custo de referência | Conta com solar | Economia por mês |
|---|---|---|---|---|
| R$ 300 | 2,5 kWp | R$ 8.000 | R$ 53 | R$ 247 (82%) |
| R$ 600 | 5,1 kWp | R$ 16.300 | R$ 98 | R$ 502 (84%) |
| R$ 1.200 | 10,3 kWp | R$ 32.600 | R$ 197 | R$ 1.003 (84%) |
Valores arredondados. Sistema dimensionado para cobrir o consumo acima do custo mínimo. Custo de referência = tamanho do sistema vezes R$ 3,17 por Wp.
A economia em reais cresce com a conta, mas o percentual é parecido nas três, porque o sistema acompanha o consumo. O que muda de uma casa para outra é o valor total que você precisa investir, e por isso vale simular a sua conta no simulador de economia com energia solar.
As premissas da conta, uma a uma
A conta só faz sentido se você puder conferir cada número. Estas são as premissas usadas na tabela, para você trocar pelas da sua casa:
- Tarifa de exemplo de R$ 0,90 por kWh. É um valor ilustrativo: troque pelo da sua fatura.
- Custo mínimo que continua na fatura: 30 kWh (ligação monofásica), 50 kWh (bifásica) e 100 kWh (trifásica).
- Autoconsumo de 30%: essa parte da energia é usada na hora e os outros 70% vão para a rede e pagam Fio B quando viram crédito.
- Geração de 120 kWh por kWp ao mês, uma estimativa conservadora.
- Preço de referência de R$ 3,17 por Wp, de um sistema residencial de 4 kWp (Greener, 2024, citado pelo Canal Solar (abre em nova aba)).
- Fio B cheio de cerca de R$ 0,2065 por kWh, derivado dos R$ 0,1239 que valem 60% na CPFL Paulista (Canal Solar (abre em nova aba)).
- Sem reajuste de tarifa, bandeiras tarifárias, iluminação pública e impostos, para a conta ficar clara.
Como o Fio B entra na conta da energia solar
O Fio B é a parte da tarifa que paga o uso da rede da distribuidora, e quem gera a própria energia paga uma fatia dele sobre a energia que injeta na rede e compensa depois. Essa fatia é de 60% em 2026, conforme a Lei 14.300 (abre em nova aba) (art. 27).
Na prática, o Fio B reduz a economia, mas não a elimina. O guia sobre o Fio B na energia solar por distribuidora traz o valor de cada concessionária, e aqui o que importa é o efeito na sua conta.
Quanto o Fio B pesa de 2026 a 2028
A fatia sobe de 60% para 75% em 2027 e para 90% em 2028. Na conta de R$ 600 do exemplo, a economia passa de R$ 502 para R$ 475 por mês, uma queda de cerca de R$ 27, ou 5 pontos percentuais.
| Ano | Fatia do Fio B cobrada | Fio B por kWh (exemplo CPFL Paulista) | Fio B no mês (conta de R$ 600) | Economia no mês (conta de R$ 600) |
|---|---|---|---|---|
| 2026 | 60% | R$ 0,1239 | R$ 53 | R$ 502 (84%) |
| 2027 | 75% | R$ 0,1549 | R$ 67 | R$ 488 (81%) |
| 2028 | 90% | R$ 0,1859 | R$ 80 | R$ 475 (79%) |
Em 2027 e 2028, o Fio B cheio foi mantido constante. Na prática a ANEEL reajusta o valor todo ano, então confira o da sua distribuidora.
Quem não paga o Fio B cheio
Sistemas que já tinham pedido acesso antes de 7 de janeiro de 2023 mantêm a regra antiga até 31 de dezembro de 2045, com condições previstas no art. 26 da Lei 14.300. Se esse é o seu caso, confira o texto vigente da lei antes de qualquer ampliação, porque a regra de transição tem exceções.
Em quanto tempo a energia solar se paga
Na conta simples, o retorno do sistema vem em cerca de 3 anos (2,9 anos), e em cerca de 4 anos se o orçamento vier 40% acima do preço de referência. O prazo é o mesmo nas três contas porque o custo e a economia crescem juntos.
| Conta atual | Economia por ano em 2028 | Retorno no preço de referência | Retorno com orçamento 40% acima |
|---|---|---|---|
| R$ 300 | R$ 2.800 | 2,9 anos | 4,0 anos |
| R$ 600 | R$ 5.700 | 2,9 anos | 4,0 anos |
| R$ 1.200 | R$ 11.400 | 2,9 anos | 4,0 anos |
Retorno = custo do sistema dividido pela economia anual com o Fio B de 2028, sem reajuste de tarifa e sem juros.
Fontes do setor falam em prazos maiores. Segundo a Greener (via Canal Solar) (abre em nova aba), o retorno costuma ficar entre 4 e 7 anos, porque a conta real inclui situações que a conta simples deixa de fora. Por isso, trate a faixa de 3 a 7 anos como referência de mercado e peça a conta do seu caso em cada orçamento.
O que encurta o prazo
- Conta alta em relação ao custo mínimo: quanto mais você consome acima de 30, 50 ou 100 kWh, mais o sistema devolve.
- Consumo de dia: a energia usada na hora não paga Fio B, então casas com gente em casa de dia economizam mais.
- Orçamentos comparados: um preço por kWp na média ou abaixo dela encurta o prazo na mesma proporção.
- Tarifa em alta: cada kWh gerado passa a valer mais na fatura.
O que alonga o prazo
- Sombra no telhado entre 9h e 15h, que reduz a geração.
- Preço acima da média: o prazo cresce na mesma proporção do excesso.
- Financiamento com juros, que soma custo ao sistema.
- Consumo concentrado à noite: mais energia vai para a rede e paga Fio B.
Para saber se o seu orçamento está na média, veja o preço por tamanho de conta no guia quanto custa energia solar em 2026.
Quando a energia solar não compensa
A energia solar não compensa quando a conta está perto do custo mínimo, quando o telhado tem sombra o dia todo ou quando você vai sair do imóvel antes de o sistema se pagar. Use este checklist de decisão antes de pedir orçamento.
- Conta perto do custo mínimo
Se a sua fatura está só um pouco acima de 30, 50 ou 100 kWh, quase não sobra o que economizar. O que fazer: Some o consumo das últimas 12 faturas e tire a média.
- Sombra no telhado
Árvore ou prédio entre 9h e 15h reduzem a geração e alongam o retorno. O que fazer: Peça a medição de sombreamento junto com o orçamento.
- Mudança antes do retorno
Se você sai antes de 3 a 5 anos, a conta fica apertada. O que fazer: Veja o que muda na venda no guia energia solar valoriza o imóvel.
- Imóvel alugado
Sem autorização do proprietário e sem prazo de contrato longo, o risco é seu. O que fazer: Combine por escrito o que acontece com o sistema no fim do aluguel.
- Consumo só à noite
Mais energia vai para a rede e paga Fio B, então a economia é menor que a da tabela. O que fazer: Simule com o seu horário de consumo antes de decidir.
- Orçamento sem a conta aberta
Sem geração por kWp e tarifa na proposta, não dá para conferir o retorno. O que fazer: Compare com o checklist de 10 itens para comparar orçamento de energia solar.
Se você marcou dois ou mais itens, não descarte a energia solar, mas peça uma simulação mais detalhada antes de assinar qualquer proposta.
O que muda em 2029 para quem tem energia solar
O escalonamento do Fio B previsto em lei vai até 2028, e de 2029 em diante o valor ainda depende de regulamentação da ANEEL. Por isso, faça a conta com 90% e trate qualquer valor menor como bônus.
Segundo o Canal Solar (abre em nova aba) (texto atualizado em setembro de 2026), o cenário depois de 2028 ainda é incerto, porque a ANEEL não concluiu a regulamentação da remuneração da energia gerada. Isso não impede a decisão de hoje, já que a tabela deste guia usa o pior caso conhecido, o de 90%.
Quem espera para decidir não ganha nada no Fio B, que só sobe até 2028. O que se perde são os meses de economia que o sistema já teria entregue.
Como conferir a conta da sua casa em 4 passos
Você confere a conta da sua casa em 4 passos, só com as faturas e uma calculadora. O resultado é uma referência para checar os orçamentos, não um projeto.
- Some o consumo de 12 meses. Pegue as últimas 12 faturas, some os kWh consumidos e divida por 12. Esse é o seu consumo médio mensal.
- Descubra o seu custo mínimo. Veja na fatura o tipo de ligação: monofásica cobra 30 kWh, bifásica 50 kWh e trifásica 100 kWh, mesmo com solar.
- Calcule o tamanho do sistema. Subtraia o custo mínimo do consumo médio e divida por 120. Exemplo: 667 kWh menos 50 kWh dá 617, e 617 dividido por 120 resulta em cerca de 5,1 kWp.
- Compare com orçamentos. Multiplique o tamanho por R$ 3.170 por kWp para ter a referência e compare com propostas reais. O simulador de economia faz essas contas para a sua fatura.
Depois dos 4 passos, você já sabe se o orçamento que recebeu está dentro da faixa e quanto tempo ele leva para se pagar.
Perguntas frequentes sobre energia solar em 2026
São as 5 perguntas que mais aparecem antes de decidir por energia solar, com resposta direta e os números do exemplo.
Energia solar vale a pena para uma conta de R$ 200?
Pela mesma conta simples, sim: em 2026 a economia fica em cerca de R$ 156 por mês e o retorno em cerca de 3 anos. O risco está no orçamento, porque se o preço vier acima da referência o prazo cresce na mesma proporção. Compare ao menos 3 propostas.
O Fio B acaba com a economia da energia solar?
Não. Ele reduz a economia, mas não a elimina: na conta de R$ 600 do exemplo, a economia vai de 84% em 2026 para 79% em 2028.
Por quanto tempo valem os créditos de energia?
Os créditos expiram em 60 meses, segundo o art. 13 da Lei 14.300. O dimensionamento correto evita acumular crédito que não será usado.
A energia solar funciona em dia nublado?
Funciona, mas gera menos, porque depende da luz. A estimativa de 120 kWh por kWp ao mês usa uma média do ano, não o melhor dia.
Vale esperar para instalar energia solar mais tarde?
Pelo escalonamento da lei, o Fio B sobe a cada ano até 2028, então esperar não costuma baratear essa parcela. Cada mês de espera é um mês de economia que o sistema não entrega.


